Maria Ignez Barbosa
 
           
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Textos e Entrevistas - Casa Vogue
 
18 de abril de 2012
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GENTE NAS ARTES

MÃOS QUE BRILHAM

Helene de Saint Lager é uma criadora non stop. Tanto que sempre confundiu casa e ateliê. Muitas vezes trabalha à noite: “ Vivo o meu trabalho como uma paixão.” Nem os cinco filhos-homem, nem os anos em que viveu em Montevideo onde o ex-marido teve função diplomática, foram empecilho.
Eclética, achava tempo para passear por feirinhas de antiguidades, restaurar quadros, aplicar pinturas decorativas em móveis e molduras, desenhar tapetes, criar bijuterias e chapéus. Com charme, nunca deixou de exercitar o que aprendeu na École du Louvre onde se formou em história das artes, depois como jovem aprendiz da famosa chapeleira Paulette em Paris e, mais tarde, no curso de fundição em metal que fez pensando em experimentar a escultura.
É a ela que Helène se dedica hoje, misturando arte e artes decorativas, alumínio, bronze, resina, pigmentos e sobretudo muita poesia em sua casa-ateliê em Yvry sur Seine, um bairro parisiense situado próximo a Biblioteca François Mitterand. Numa região onde se instalaram muitos artistas, comprou recentemente uma velha carpintaria detonada que transformou num espaço “que eu queria que fosse muito sóbrio e minimalista de modo a poder ressaltar e se adequar ao meu trabalho de espirito barroco”. A casa-ateliê tem paredes brancas, chão cinza-claro, um pátio interno a la romana e revestimento externo de chapas de metal industrial cinza antrachita. Os primeiros planos feitos para a casa, sobretudo o posicionamento do pátio foram pensados por Jacques Garcia, um dos mais imaginativos decoradores franceses que, depois de ter descoberto Helène, nunca parou de encomendar-lhe instalações ou peças individuais, sempre únicas, para seus projetos de decoração. Com o “aristocrata” Garcia, colecionador e amante das coisas belas, Helène tem em comum o gosto pela elegância do estilo francês do século XVIII mesclado a um barroco criativo moderno.
O primeiro trabalho de Hélène para o decorador que tem como morada principal um chateau em Champ de Bataille, foi para seu pied-a-terre parisiense : uma instalação de nuvens em “alumínio aleatório” que pendem, em diferentes alturas, de um teto pintado em azul Klein e que reproduz o céu no dia do nascimento de seu dono.
Foi junto com seu fundidor que a artista desenvolveu esse conceito original de fundição em metal, que consiste em uma superposição de placas de alumínio com areia refratária que, ao serem derretidas, provocam formas improváveis. Um material que pode ser aplicado em individuais de mesa como aqueles que faz para a butique Siècle na Rue du Bac em Paris, ou em móveis de alumínio como os que podem ser encomendados na galeria Arcturus na Rue de Seine na Rive Gauche. Já na Galerie du Passage de Pierre Passebon, no Marais, endereço por onde passam os mais importantes decoradores de Paris como Jacques Grange, outro cliente e admirador dos trabalhos de Hélène, ficam concentrados os bancos, as luminárias e as mesas de resina e bronze, peças que ganham transparências, tons os mais inesperados, nomes como emeraude, ematite e coquillages e aos quais ela se dedica sozinha em sua casa-ateliê. Normalmente é sob encomenda que a artista trabalha.
Quanto aos tapetes que desenha e que manda tecer com diferentes espessuras, lã, rafia e fio de metal como o que tem estampa de olho que lembra a estampa inspirada nos olhos de Greta Garbo criada por Cecil Beaton, ou aquele bem colorido que se chama Carnaval e que remete a Jean Cocteau, podem ser encontrados na galeria Artcurial. (www.helenedesaintlager-art.com)