Maria Ignez Barbosa
 
           
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Textos e Entrevistas - Casa Vogue
 
20 de outubro de 2013
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Acervo pessoal

Não é surpresa que uma das organizadoras da feira ArtRio viva rodeada por pinturas, fotografias e outros trabalhos em seu apartamento no Arpoador. Mas ela também abriu espaço no décor para peças de design modernista, formando uma composição de beleza singular

Por Maria Ignez Barbosa
Estilo Adriana Frattini
Fotos Filippo Bamberghi


O edifício dos anos 1950 se destaca na rua. Erguido sobre pilotis, revestido de pastilhas de vidro esverdeadas e castanhas, é de autoria do conhecido arquiteto carioca Marcelo Fragelli, e tem nome musical: Johannes Brahms. Ali, Brenda Valansi está a um passo do mar do Arpoador, um dos cantos de praia mais belos do Rio de Janeiro, e na mesma rua em que vivem o pai, a avó, o tio e o irmão. Motivos mais do que suficientes para a escolha do apartamento pela moradora, uma das organizadoras da ArtRio – feira de arte realizada há três anos no Pier Mauá e que, em setembro deste ano, reuniu as principais galerias do Brasil, dos Estados Unidos e de outros 13 países.
No período que passou em Nova York, entre 2002 e 2003, recém-formada em veterinária e estagiando em um hospital de animais, Brenda pôde repensar a vida. Encantada com o ambiente artístico nova-iorquino, decidiu que na volta ao Rio estudaria no Parque Lage e se tornaria artista plástica. “Depois de cinco anos veio a ideia da feira. Resolvi deixar de fazer arte para mostrar arte.”
Apesar de adorar bichos – tem uma bulldog francês chamado Dorinha e um papagaio de nome D.Elsa – Brenda, com a amiga Elisangela Valadares, decidiu fundar a BEX, empresa de produção de eventos. “O B é de Brenda, o E de Elisangela e o X é para multiplicar”, esclarece ela, que hoje tem mais dois sócios, todos exclusivamente dedicados à ArtRio, que “vai muito bem, obrigada, e deve crescer. Acreditamos que há um grande mercado entre pessoas que não têm acesso à arte e que passarão a ser consumidoras.”
Embora viaje constantemente para conhecer galerias e visitar feiras de arte pelo mundo, Brenda adora ficar em casa, onde mora com a filha de cinco anos, e receber amigos para ouvir música e dançar. Com a ajuda da decoradora Mariana Halpern, não teve dificuldades para acomodar no apartamento as peças assinadas por Joaquim Tenreiro que ganhou do pai: a estante de madeira escura, a mesa de jantar, as cadeiras e a mesa redonda usada como bar. Também foram presente dele as poltronas de couro marrom de Sergio Rodrigues. A mesa branca em frente ao sofá, da Ovo, a poltrona de acrílico e vime, dos Irmãos Campana, e a mesa lateral de tronco dão um toque contemporâneo ao décor basicamente modernista.
Nas paredes, está a arte que, “no embalo da ArtRio,” vem colecionando. Não importa a nacionalidade do artista; para Brenda, o importante é que a obra lhe seja agradável. Aponta as criações de Rodrigo Andrade, Eduardo Stupía, Cristina Canale, Eduardo Berliner, Lucia Laguna, Mauro Spindola, Renan Cepeda e Fred Tomaselli. Se esquece um nome, recorre ao laptop, onde tem tudo catalogado. Entusiasmada, e para mostrar à Casa Vogue suas aquisições mais recentes, tira da embalagem uma aquarela do alemão Norbert Bisky, duas pinturas da americana Sadie Benning e o trabalho feito especialmente para a feira que comanda pelo britânico Peter Liversidge. A ArtRio 2013 encerrara dois dias antes e Brenda Valansi já estava pronta para 2014.