Maria Ignez Barbosa
 
           
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Textos e Entrevistas - Casa Vogue
 
20 de outubro de 2014
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LUXO EUROPEU A BEIRA MAR



O marroquino Alberto Pinto tinha apenas 20 anos quando descobriu o Brasil. Passou anos sem voltar, até que, em 2007, resolveu fincar um pé no Rio de Janeiro, ou melhor, quase que literalmente na areia da praia de Ipanema, numa cobertura de 400m2 onde ao adentrarmos a impressão é de se estar pisando no mar.
Na segunda visita, “deixei-me encantar novamente pela delicadeza das pessoas, pelo clima e pela doçura de viver”. Foi quando, além de adquirir o apartamento no Rio, o famoso decorador de interiores de vilas, palácios, casas e apartamentos, iates e aviões para nobres, ricos e plebeus ao redor do mundo, comprou também uma casa colonial em Paraty.
Para ajuda-lo a organizar os espaços dos dois andares do prédio na Avenida Vieira Souto, Alberto contou com a ajuda do arquiteto carioca Thiago Bernardes com quem já tinha trabalhado num projeto em São Paulo e outro no Qatar. O pé direito aumentou, as janelas em frente ao terraço de 10 metros de comprimento foram transformadas em portas altas de vidro trazendo o mar para dentro de casa e uma escada minimalista passou a unir os andares de forma menos invasiva.
Alberto Pinto reconhece as afinidades tropicais entre o Brasil e sua terra natal. –“As cores e a luminosidade me lembram as do Marrocos. E foi isso o que me deixou convencido da ideia de no Rio de Janeiro misturar materiais simples como a palha com outros mais ricos como a seda.”
Alberto, no entanto, foi bem mais longe. Sem se preocupar com conceitos ditos politicamente corretos, não hesitou em comprar em leilões na Europa casacos usados de pele de onça haute-couture para transformar em almofadas decorativas para o grande sofá branco arredondado que domina uma das extremidades do salão e para estofar as cadeiras da sala de jantar. Em containers provenientes também do velho continente vieram os móveis, a arte, os tapetes e as cortinas que decoram as salas e as quatro suítes do apartamento. Chamam a atenção a grande mesa e o aparador de espelho dos anos 40 de Serge Roche, preciosidades de colecionador. Alberto explica que “os moveis de espelho permitem refletir a luz e a vista. E também, para mais desse efeito de infinito, coloquei espelhos dos dois lados do terraço. Isso fez com que de qualquer angulo da sala se possa avistar o morro Dois Irmãos.”
Um dos grandes prazeres de Alberto Pinto sempre foi receber amigos para jantares e almoços em casa, não importa se em Paris, Nova York ou Tanger. Sua mesas decoradas com peças da valiosa coleção particular de louças, talheres e cristais antigos e modernos já fizeram história e se transformaram no livro Table Settings. No Rio não faria por menos. Um “chef de cuisine” sempre fez parte da bagagem. Um almoço na cobertura onde uma parede lateral foi recoberta de orquídeas das mais variadas espécies e cores, ele pode sentar os convidados à volta de mesas redondas com toalhas da cor do mar azul em frente, louça Cia das Índias feita para o mercado português decoradas de vermelho e azul, copos de cristal vermelho claro, lírios nas mesmas tonalidades e talher de prata com a insígnia de ex-donos coroados. A cada viagem ao Brasil, um “chef de cuisine” vem com ele a tiracolo.
Garimpar e fazer descobertas nos países que visita é outro dos passatempos preferidos de Alberto. “A curiosidade e a cabeça aberta são o que nos permite estar sempre aprendendo algo novo”. Os painéis feitos de asas de borboletas que forram as paredes da sala de jantar do apartamento, ideia e concepção dele, foram feitos localmente por um artista que o decorador descobriu na Feira Hippy de Ipanema. O artesão, habituado a fazer apenas pequenos quadros, não só confeccionou com esse material os enormes painéis como fez também, a pedido do decorador, uma grande bandeira do Brasil que Alberto acabou dando de presente a uma amiga. Outro achado na Feira foi a artesã de cestaria a quem o decorador encomendou bandejas que não deixam nada a desejar às da loja Hermès de Paris.