Maria Ignez Barbosa
 
           
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Textos e Entrevistas - Casa Vogue
 
29 de setembro de 2010
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Travessia

Revolucionário da Prancheta

Desde que foi agraciado com o “grand prix”, na exposição de Paris, em 1925, Gio Ponti nunca deixou de apregoar que o bom design faria mais doce nossas vidas. E que a arquitetura é o suporte e o palco do cotidiano, cruzada que defendeu desde o limiar do novo século. Aproveitou a ocsião, jovem de 34 anos, para em alto e bom som afirmar que o modo de criação do século 20 seria industrial, e que a produção em massa pode e deve andar de mãos dadas com a excelência. Esse legendário design nascido em Milão, em 1891, é o autor de ícones do modernismo como, a cadeira Superleggera, a máquina de café La Pavoni, e a torre de Pirelli construída na terra natal. Por acreditar que a vanguarda tinha que beber nas formas e nos estilos do passado, conseguiu passar incólume pelo fascismo, que durante a Segunda Guerra tanto alterou tanto alterou o rumo da estética vigente em seu país, impondo um retrógrada métrica classista. Isso não impediu que mais tarde, por suas constantes repreensões em favor do modelo contemporâneo, fosse reconhecido como padrinho do renascimento do design italiano no pós-guerra – seja redigindo cartas, proferindo palestras, dando aulas, trabalhando como diretor de arte ou designer, ou por meio de artigos na DOMUS, a cultuada revista que fundou em 1928. Cedo ele acordava e se punha a escrever. Dedos sujos de tinta, não menos de trinta cartas entre cinco e seis horas da manhã, palavras muitas vezes se transformando em desenhos, idéias generosamente divididas com os amigos. É como a filha Lisa Licitra Ponti se lembra dele. “Ame arquitetura”, pontificava ele, “seja ela antiga ou moderna. Ame-as pelas suas criações fantásticas, aventureiros e solenes, por suas invenções, pelas suas formas abstratas, alusivas e figurativas que encantam o nosso espírito e envolvem nossos pensamentos”. Em sua cruzada, foi curador e fundador Triennale de Milão , hoje com bases inclusive fora da Itália. Ponti, que precisou adiar a formação acadêmica para servir na Primeira Guerra. Já diplomado, entre 1923 e 30, foi diretor da Richard Ginori que, sob sua orientação, tornou-se exemplo de empresa focada no design. Nos anos 20 criou a “DOMUS”, casas com interior inovador, espaços flexíveis e móveis moduláveis apesar de guardarem fachada tipicamente milanesa. Até os anos 70, dedicou-se a obras arquitetônicas de maior dimensão, inclusive em Caracas, Teerã, Denver e Nova York. Atraído pelos desafios dos traço contemporâneo, criou cenários e costumes para as óperas de La Scala de Milão, desenhou vasos de vidro Murano para o amigo Paolo Venini e colaborou na decoração de peças com Piero Fornasetti. No final desse período, ainda ativo, mas já sem força para as tradicionais caminhadas, tratou de encomendar uma vã de 12 lugares para percorrer as suas sua querida cidade em boa companhia. As longas conversas se estenderam até 1979, quando a arquitetura e o design do século 20 perderam um de seus mais influentes apóstolos.




O designer
Gio Ponti nasceu em Milão, 1891. Tornou-se um dos expoentes da arquitetura e do design moderno, inaugurando estúdio próprio ao lado de Mino Fiocchi e Emilio Lancia. Em 1928 fundou a revista DOMUS, entre 1936 e 1961 lecionou na conceituada Universidade Politécnica de Milão. Morreu no dia 16 de setembro de 1979.