Maria Ignez Barbosa
 
           
 
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Na Imprensa
16 de abril de 2007 « anterior | próximo »


LITERÁRIA, COLORIDA, SONANTE, TROPICAL

Julio Daio Borges

Digestivo nº 325 - Hoje, na imprensa-impressa, as entrevistas parecem todas iguais. Não têm nada do entrevistado, muito menos do entrevistador. Mas houve um tempo em que, nessa área, a imprensa-impressa dava das cartas. E publicava entrevistas de jovens de 23 anos como Maria Ignez Corrêa da Costa Barbosa. Gentíssima, o livro relançado pela Ateliê Editorial, quase quarenta anos depois, é a prova viva de que, tudo bem, o Rio de Janeiro era mais rico em personalidades, mas, também, o jornalismo era melhor porque arriscava mais. Maria Ignez entrevista praticamente o século XX, de Salvador Dalí a Juscelino Kubitschek, de Guimarães Rosa ao Barão de Itararé, de Nara Leão a Henry Moore. Admira que ela ainda esteja viva, para contar a história; e não admira que mereça a orelha dupla de Pedro Corrêa do Lago (seu primo mais novo) e Carlos Eduardo Lins da Silva. Da edição original de 1968, Gentíssima mantém o prefácio de João Cabral de Mello Neto e acrescenta, por exemplo, a entrevista com Érico Veríssimo. Maria Ignez continua escrevendo bem, depois de quase quatro décadas longe do jornal, e aborda a questão-chave, inescapável depois da leitura: se era tão brilhante, tão precoce e tão reconhecida, por que abandonou o ofício de todo? Maria Ignez, no auge da inteligência e dos 20 anos, dedicaria um exemplar a seu futuro marido na noite de autógrafos, e ele, diplomata como o pai dela, afastaria a intrépida entrevistadora do jornalismo e a levaria pelo mundo afora. Tão intrigantes quanto suas bem elaboradas perguntas é a indagação maior sobre o que Maria Ignez poderia ter sido e não foi. Gentíssima, felizmente, ressurge para inspirar toda uma nova geração digital. Que os vinte e poucos anos de Maria Ignez Corrêa da Costa Barbosa contaminem os vinte de bloggers e outros mais.
Gentíssima